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‘Cuidou dos irmãos e se dedicou aos mais fracos’, diz irmão sobre Cabo Almi

“Tínhamos lembranças maravilhosas, mas essa era a única que eu não queria ter”. Assim resume a perda do deputado estadual Cabo Almi (PT) o irmão Adilson Pereira Moura, de 47 anos. O político morreu na segunda-feira (24) vítima da Covid-19.

O velório foi realizado durante a tarde desta terça-feira (25). Mais velho entre oito irmãos, Adilson lembra da harmonia entre os seis homens e duas mulheres. “Crescemos na roça. Víviamos em harmonia, trabalhando, estudando e farreando. Meus pais nos deram exemplos bons”, contou.

“Vai fazer muita falta. Cuidou dos irmãos e se dedicou aos mais fracos”, resumiu Adilson. Almi esteve internado nos últimos 17 dias e deixa esposa e três filhos.

“Vazio”

Políticos também passaram pelo Cemitério Memorial Park para se despedir do petista. O deputado estadual Coronel David (sem partido) destacou a relação de respeito que tinha com o colega na Alems (Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul).

“Vai deixar um vazio para todos que depositavam esperança nele. Éramos oriundos da PM [Polícia Militar], mas opostos na política. Mesmo assim, jamais perdemos o respeito”, comentou.

Para o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT-MS), a perda é irreparável. “Perdemos um dos deputados mais comprometidos com a causa trabalhista. É uma perda grande para Mato Grosso do Sul. Vivemos essa situação lamentável em que o presidente está brincando enquanto passeia pelas ruas”, disse, em referência a Jair Bolsonaro.

Morte

Cabo Almi estava internado desde 7 de maio no Hospital da Cassems. Ele testou positivo para a doença causada pelo novo coronavírus quatro dias antes e começou o tratamento em casa.

Com o agravamento do quadro, ele precisou ser intubado. Entre altos e baixos, ele permaneceu internado por 17 dias, mas não resistiu e faleceu na noite de segunda-feira.

Paranaense de Jardim Olinda, José Almi Pereira Moura veio com a família ainda criança para Mato Grosso do Sul, fixando residência no distrito de Lagoa Bonita, em Deodápolis. Mudou-se para Campo Grande em 1982.

Antes de ingressar na PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), em 1983, trabalhou como cobrador de ônibus, empacotador e promotor de vendas de indústria de alimentos, além de se formar como torneiro mecânico pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Em 1987, casou-se com Irene Carolina de Oliveira, com quem teve três filhos, Flávio, Fabrícia e Monique.

Foi promovido a cabo em 1988. Já em 1996, foi eleito vereador na Capital, e conquistou mais dois mandatos nas urnas. No ano de 2010, foi eleito deputado estadual pela primeira vez, sendo reeleito em 2014 e 2018. Sua cadeira será ocupada pelo primeiro suplente, o ex-deputado estadual Amarildo Cruz, também do PT.

 

 

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