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Desistência de Datena abre nova corrida ao Senado com Márcio França

A desistência do apresentador José Luiz Datena (PSC) de disputar o Senado por São Paulo, anunciada por ele na TV nesta quinta-feira (30), mexe com a briga pela vaga e amplia a pressão para que o ex-governador Márcio França (PSB) abra mão da candidatura ao governo e aceite concorrer a senador na chapa do PT.

O entorno de França diz estar mantida a intenção de tentar o Palácio dos Bandeirantes, embora ele venha admitindo recuar. Aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no plano nacional, o ex-governador é incentivado a desistir pela unificação do palanque local em torno de Fernando Haddad (PT).

Após a publicação da pesquisa Datafolha desta quinta que o mostrou com 16% de intenções de voto para governador, logo atrás do líder Haddad (28%), França divulgou um vídeo em tom de comemoração, sem mencionar possível desistência.

“Faz um mês que todo dia falam que eu não sou mais candidato, que eu não vou ser candidato. E nós estamos no segundo turno. É difícil esse Márcio França, hein?”, disse, sorridente. No cenário sem ele, Haddad salta para 34%.

Após o comunicado de Datena, França se referiu a ele como amigo em uma rede social e fez acenos em busca de aproximação. “Vem conosco ajudar São Paulo e o Brasil mais democráticos e livres!”, escreveu o ex-governador, que chamou o comunicador de “embaixador do povo”.

França vem há meses driblando as pressões do PT, ao insistir na candidatura sob o argumento de que ele teria chance de atrair um eleitor de centro-direita refratário a Haddad e seria, portanto, o melhor candidato da coligação. Além disso, favoreceria a situação de Lula no território paulista.

Ele indica agora querer ganhar mais tempo nas negociações, mesmo com a eliminação do principal entrave nas tratativas. Nesta quinta, após a notícia, França não se comprometia a aceitar a composição desejada pelos petistas, que vêm guardando a vaga do Senado na chapa para ele.

Lula teve conversas com o aliado nos últimos dias e reforçou o apelo pela composição na direção de um palanque único. A indefinição tem afetado também a agenda de viagens que o ex-presidente quer fazer pelo estado ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB).

A expectativa entre petistas é que finalmente a situação se desenrole. Datena era tido como favorito e se avaliava que o risco de derrota de França implicaria custo político muito alto. Outra ala, porém, via chances de França fazer frente ao apresentador ao se associar a Lula, Haddad e Alckmin.

Com a reviravolta no quadro, a percepção é que França passa a ser o mais forte na disputa pela vaga ao Senado e ainda contribui para robustecer a chapa encabeçada por Haddad.

Enquanto setores do PT recebem a desistência com alívio e comemoração, por abrir caminho para o acordo esperado com França e ainda tirar da frente o candidato tido como mais competitivo, no lado bolsonarista a novidade foi recebida com sentimentos ambíguos.

Datena concorreria na chapa do candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado pelo presidente. A escolha era criticada por alas mais fiéis do bolsonarismo, que Datena mencionou em sua fala como “certos grupos radicais” que o hostilizaram e “pesaram muito nessa decisão”.

Apoiadores de Tarcísio se dividem agora entre os que lamentam a perda de um ativo eleitoral considerado vantajoso para o candidato a governador, com capacidade para ajudá-lo a crescer, e os que tentarão agora emplacar um nome mais simpático às bandeiras ideológicas do bolsonarismo.

Um dos nomes mais cotados é o da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que, a princípio, concorreria à reeleição. Ela tem o apoio de uma parcela de entusiastas de Tarcísio mais alinhada a Bolsonaro.

Outra opção, que será discutida pelo Republicanos diante do novo cenário, é lançar o ex-presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo) Paulo Skaf.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP), que dialoga com uma parte da base bolsonarista, disse à reportagem que segue pré-candidata ao Senado.

“Minha pré-candidatura não estava vinculada à de Datena”, afirmou. Ela, que já teve altos e baixos com o presidente, diz que agora é preciso ver se Bolsonaro lançará outro nome, enquanto tenta avançar com sua candidatura mesmo que não haja aval do Planalto a seu nome.

A saída de Datena do páreo também cria dúvidas sobre o eventual apoio do PSD à candidatura de Tarcísio, conforme mostrou a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, vinha negociando com o do Republicanos, Marcos Pereira, indicar o vice-governador e o primeiro suplente de Datena.

O vice a ser cedido seria o atual pré-candidato da sigla a governador, Felicio Ramuth, e Kassab foi cotado para a posição de suplente. Sem o apresentador na disputa, o apoio a Tarcísio ficou menos atrativo.

Apesar disso, dentro do PSD a desistência de Datena, por ser de alguma forma previsível se considerado seu histórico, já estava precificada. Integrantes acreditam que o quadro não muda severamente.

Há uma divisão interna: Kassab sempre defendeu uma candidatura própria ao governo, enquanto Guilherme Afif Domingos, coordenador do programa de Tarcísio, tenta levar a sigla para o lado do ex-ministro. Integrantes da bancada do PSD paulista na Câmara também apoiam a aliança.

França também abriu negociação com o PSD, assim como buscou a União Brasil, que tem Luciano Bivar como pré-candidato à Presidência, em busca de coligações que possam dar mais musculatura à sua eventual candidatura.

Kassab disse a aliados de França que daria uma posição a respeito do tema neste fim de semana. A União Brasil, por sua vez, não sinalizou data para definição.

Nesta quinta, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, se reuniu com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, para discutir o quadro político paulista. No encontro, eles resolveram aguardar o posicionamento do PSD.

Na próxima semana, haverá nova reunião entre os partidos.

A expectativa é que na oportunidade haja uma decisão sobre a permanência ou não de França na briga pelo governo.

No PSB, a avaliação é que a saída de Datena pode empurrar o PSD para a aliança com França, já que está descartada a chance de Kassab ser suplente do apresentador. Com isso, o presidente do PSD fica mais à vontade para pleitear uma posição melhor na chapa do pessebista, dizem integrantes do partido.

Datena, que já desistiu quatro vezes de concorrer em eleições, empurrou a decisão sobre sua candidatura ao Senado até o limite do prazo, deixando para a última hora a confirmação de sua desistência. Ele disse nesta quinta que “quase foi” desta vez, mas refletiu e achou melhor seguir como comunicador.

Embora nas últimas semanas ele mantivesse o discurso vacilante, ora confirmando a intenção ora dizendo que poderia se afastar, a certeza de que ele finalmente colocaria seu nome nas urnas parecia maior. Na manhã desta quinta, Bolsonaro disse a apoiadores que estava “fechado” com ele.

Em 2016, Datena cogitou ser candidato à Prefeitura de São Paulo. Já em 2018 pensou em concorrer ao Senado, e em 2020 poderia ter sido candidato a vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB). Em todas essas ocasiões, ele também emitiu sinais conflitantes, até resolver, por fim, continuar na TV.

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