Saúde

Em pleno pico da pandemia, universidades adotam ensino presencial

Curso de Medicina da Uniderp retorna aulas práticas e teóricas em modo presencial neste mês

Embora Mato Grosso do Sul tenha registrado na manhã de hoje (5) o maior número de internados (712) desde o início da pandemia, algumas universidades retomam aulas práticas e/ou teóricas em modo presencial neste primeiro semestre de 2021.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) autorizou, por meio do Decreto Municipal nº 14.455, de 14 de setembro de 2020, o retorno das aulas presenciais em Universidades, Faculdades, Cursos pré-vestibulares, cursos Técnicos, Ensino Médio e Ensino Fundamental.

No entanto, as universidades da rede privada se preparam para o retorno presencial neste mês.

Estão permitidos também aulas práticas e estágios profissionais curriculares, desde que sigam rigorosamente a lotação máxima de 50% nos ambientes.

Ao Correio do Estado, a infectologista Mariana Croda assegurou que a educação é uma atividade essencial, e que deve ser a primeira a retornar e a última a parar.

“Nós temos muita desigualdade, alta taxa de evasão dos cursos de nível superior. Se houver planos de biossegurança bem estabelecidos, há sim formas seguras de fazer um retorno seguro”, afirma.

UNIDERP

A Uniderp adota ensino presencial para aulas práticas e ensino remoto para aulas teóricas. Porém, apenas no curso de Medicina essa situação é diferente: aulas práticas e teóricas serão ministradas presencialmente, ainda no mês de março, de acordo com a Portaria publicada ontem pela instituição.

 Veja a Portaria publicada pela Uniderp

Segundo a universidade, todos os protocolos de biossegurança contra a Covid-19 serão seguidos rigorosamente, respeitando a lotação máxima de 50%, uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool gel e devido distanciamento social.

Uma aluna do curso, que não quis ser identificada, se posiciona totalmente contra ao retorno das aulas teóricas em modo presencial. “Não concordo frente as aulas teóricas, visto que podem ser realizadas pelo modo à distância. Já as práticas concordo, pois são necessárias”, declara.

Ela ainda alega que professores e nem alunos foram consultados para tal decisão. “Além disso, é totalmente complicado nós que estamos nos cuidando dividir a sala com colegas que continuam saindo e indo em bares durante a pandemia”, finaliza.

Outra aluna, do mesmo curso e que também não quis ser identificada, também se mostra desfavorável ao fim da aulas teóricas à distância.

Ela conta que seus pais são do grupo de risco e que ainda não tomaram a vacina. “Eu sei que uma hora teremos que voltar, mas esse momento que estamos passando, com o aumento de casos, novas variantes do vírus, as superlotações dos hospitais e falta de vacina, não acho válido colocar em risco a minha vida e a vida dos meus familiares”, disse.

A estudante fala que o ensino remoto não é a melhor forma de aprender, mas para o momento que a população vive, é válido. “Prejuízos eu consigo correr atrás. Não posso colocar em risco a minha vida e a dos meus pais”, relembra.

UCDB

A Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) também adota ensino híbrido. Aulas práticas, consideradas essenciais, são ministradas presencialmente. Já as aulas teóricas, acontecem de modo virtual.

De acordo com a instituição, a UCDB já está preparada para retornar aulas teóricas quando possível. A universidade está atenta em relação aos dados da pandemia diariamente divulgados pelas autoridades de saúde do Estado e Município.

Aqueles que optarem pelo ensino remoto de aulas teóricas, serão atendidos. Já os que preferirem comparecer pessoalmente às aulas, estarão liberados.

“Tudo depende da situação pandêmica. Quando for o momento adequado, estaremos preparados para o retorno presencial”, diz a assessoria de imprensa da instituição.

Inara Alessandra Ramos Magalhães, formada em Publicidade e Propaganda pela instituição e atualmente acadêmica de Jornalismo, confessa ter sido difícil adaptar-se ao ensino online no começo da pandemia.

Ela conta que sente falta de encontrar amigos no câmpus da universidade. “Quando penso na quantidade de pessoas que frequentam uma universidade, bate uma insegurança, ainda mais porque os casos só tem aumentado”, afirma.

Os pais da estudante acham importante a convivência social e que nada se compara ao presencial, mas acreditam que ainda não é o momento para o retorno.

UFMS

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) autorizou o ensino híbrido até o fim deste ano letivo para cursos de graduação e pós-graduação.

Aulas teóricas serão 100% ministradas à distância, enquanto aulas práticas estão permitidas de forma presencial, de acordo com protocolos de biossegurança e características dos cursos.

Projetos de ensino, pesquisa e extensão, inovação e empreendedorismo também poderão ser executados no modo presencial.

Para evitar aglomerações, as coordenações dos cursos devem pensar em atividades que possibilitem a divisão e revezamento de turmas. O objetivo é preservar o distanciamento social, respeitar os limites de ocupação e reduzir a mobilidade de estudantes.

“As coordenações de curso estão autorizadas, em conjunto com a direção das unidades, a reestruturar e oferecer atividades práticas presenciais aos estudantes, com aglutinação e consolidação das atividades em períodos e divisão de turmas”, declara a Universidade.

A UFMS é a única universidade pública do Estado que apoia o ensino híbrido. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) manterão ensino remoto.

Professores da UFMS ameaçam greve sanitária, pois são contra o retorno das aulas práticas presenciais  sem a devida vacinação para os profissionais da educação.

Maria Luiza de Castro Barbosa, estudante de Jornalismo, é a favor do retorno das aulas práticas presenciais. “Já tive aulas práticas pelo ensino remoto e não aprendi do jeito que poderia ter aprendido no ensino presencial. Poderia ter aprendido muito mais”.

Ela ainda acredita que essa volta às aulas práticas é benéfica, pois a educação não pode ser deixada de lado.

“Acredito que seria uma boa medida. Óbvio, sempre se cuidando. Não podemos ignorar o que está acontecendo nessa pandemia. Pessoas estão sendo internadas e morrendo”, complementa.

ESTÁCIO DE SÁ

A Estácio de Sá também adota o ensino híbrido. Aulas teóricas são à distância e as práticas, presenciais. Além disso, a universidade já adota há anos o ensino remoto para algumas matérias em cursos de graduação e pós-graduação.

A instituição segue à risca todas as medidas de biossegurança impostas pela pandemia. Há distanciamento nos ambientes de ensino, disponibilização de álcool gel e uso obrigatório e correto de máscara para toda a equipe e alunos.

Felipe Rodrigues Passos, acadêmico de Direito, é a favor do ensino híbrido. “Não há estrutura para manter as aulas teóricas presencias, tendo em vista a grande quantidade de alunos por sala. Já quanto as aulas práticas, consegue-se ter um controle maior na quantidade de alunos”, reitera.

Panorama da Covid-19 em 5 de março de 2021

O Estado já tem 185.883 confirmações de Covid-19, desde o início da pandemia. As mortes já contabilizam em 3.416. Recuperados já somam 172.910.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 23 mortes e 771 casos. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES) desta sexta-feira (5).

Em isolamento domiciliar encontram-se 8.845 doentes. Há 712 pessoas internadas, sendo 402 em leitos clínicos (270 público; 132 privado) e 310 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (234 público; 76 privado).

Campo Grande, Amambaí, Mundo Novo, Itaporã, Corumbá, Ponta Porã, Sidrolândia, Rio Negro, Aquidauana, Costa Rica, Dourados, Três Lagoas, Cassilândia, Iguatemi e Naviraí são as cidades que apresentaram mortes nas últimas 24 horas.

A ocupação global de leitos UTI-SUS na macrorregião de Campo Grande está em 92%, Dourados 89%, Três Lagoas 82% e Corumbá 63%.

Orientações

A SES afirma que o isolamento social; o uso de máscara e álcool gel e a higienização das mãos com água e sabão são medidas imprescindíveis para conter a propagação do novo coronavírus.

Pessoas que apresentarem febre, tosse seca ou dor de garganta devem permanecer em isolamento por 14 dias e procurar uma unidade básica de saúde mais próxima.

“Qualquer sintoma, não importa sua idade, se você é uma criança ou idoso. Vá a uma unidade de saúde”, pede a secretária adjunta de Saúde, Christinne Maymone.

“A doença tem comportamento diferente de pessoa para pessoa. Procure atendimento médico”, acrescenta.

“É importante o isolamento, uso de máscara, a proteção individual e a diminuição das aglomerações. A pandemia não passou. Vidas estão sendo perdidas todos os dias”, apela o governador do Estado, Reinaldo Azambuja.

Fonte: correiodoestado.com.br

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Eidson Brito

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