Cidades

Inflação na Capital permanece acima da média brasileira

Em Campo Grande, perda do poder de compra continua mais intensa do que em outras capitais

Puxada pelos reajustes dos combustíveis, a inflação de fevereiro ficou acima da nacional novamente em Campo Grande. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do País, terminou o segundo mês do ano na Capital em 0,92%, ante os 0,86% da média nacional, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O doutor em Economia Michel Constantino destaca que o principal impacto de Campo Grande manter a inflação acima da média nacional é a perda do poder de compra, tendo como resultado a diminuição do consumo, entre outros fatores.

“O aumento dos preços diminui o poder de compra da população significativamente. Se a renda das pessoas não aumentar acima da inflação, a população não consegue comprar os mesmos produtos que antes, o que leva o consumidor a substituir formas de consumo”, pontua o especialista.

O índice de Campo Grande foi o maior do País em 2020, 6,85%, e o mais alto registrado pela Capital desde 2016, quando a inflação foi de 7,52%. Em 2017, o IPCA fechou em 2,11%, em 2018, foi a 2,98%, e em 2019, subiu 4,65%.

O professor e economista Eugênio Pavão destaca que a alta pode pressionar o custo de vida.

“Os preços aqui na Capital subiram mais que a média nacional, com isso, o custo de vida sobe também acima da média nacional. Mato Grosso do Sul é afetado fortemente por ser produtor de alimentos que são enviados para grandes centros no Brasil e no exterior, afetando a quantidade e qualidade de cesta de alimentos, produtos de limpeza e diversos outros serviços”, explica Pavão.

No acumulado de 2021, Campo Grande tem um índice de 1,45%, sendo o terceiro maior do País, abaixo somente de Fortaleza, com 1,85%, e Rio Branco, com 1,50%.

Em fevereiro, o resultado foi influenciado pelos reajustes da gasolina na Capital. Somente no mês passado, o combustível subiu 6,4%, acumulando aumento de 8,97% este ano e de 13,83% em 12 meses. Parte do aumento do produto nas refinarias acaba repassado ao consumidor.

O advogado e economista Luis Claudio Brandão de Souza explica que os reajustes do combustível impactam diretamente a população, já que boa parte do transporte de cargas no Brasil é feito por rodovias. Sendo assim, quando o combustível fica mais caro, o custo do frete também aumenta e isso é repassado para o consumidor final.

“Os valores do combustível são muito importantes na economia. O aumento no valor do combustível faz com que haja repercussão no preço de outros produtos, então ele tem uma capilaridade em relação aos demais insumos que compõem a estrutura econômica do País”, afirma Souza.

“Os consumidores que utilizam transporte público, as empresas que utilizam carros e caminhões para trabalhar já estão sentindo o impacto no bolso, e para as empresas esse aumento será repassado para o custo dos produtos e serviços. O aumento dos combustíveis é um aumento com efeito dominó na economia”, reitera Constantino.

MENSAL

De acordo com o IBGE, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em fevereiro, porém, entre os itens que aliviam o bolso dos campo-grandenses, o grupo alimentação e bebidas registrou queda pelo terceiro mês consecutivo.

Em novembro, dezembro e janeiro, as taxas haviam sido de 2,74%, 2,70% e 0,63%, respectivamente. Constantino destaca que o fim do auxílio emergencial influenciou na desaceleração das vendas nos supermercados.

“As pessoas começaram a equilibrar o orçamento, buscando trocar alguns produtos mais caros por opções mais em conta. Além disso, o auxílio agora tem efeito contrário, diminuindo a demanda por alimentos, bebidas e vestuário. As pessoas ajustam seus gastos com o orçamento que possuem, em razão da falta do benefício”, ressalta Constantino.

Os alimentos para consumo no domicílio tiveram queda de preço de 0,28%, influenciada principalmente por produtos como batata-inglesa (-14,70%), tomate (-8,55%), leite longa vida (-3,30%), óleo de soja (-3,15%) e arroz (-1,52%).

Por outro lado, os preços da cebola (15,59%) seguem em alta, e as carnes, que haviam apresentado queda de 0,08% em janeiro, subiram 1,72% em fevereiro.

De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, além da oferta e da demanda, vários fatores impactaram na queda de preço de alguns produtos.

“Essa desaceleração era esperada no setor alimentício. Em relação ao ano passado, temos alguns produtos que estão em desabastecimento, em razão da demanda mundial e questões de produção. As pessoas estão priorizando produtos essenciais, cerca de 30% da população de Mato Grosso do Sul teve redução de renda durante a pandemia ou está desempregada, o que impacta o cenário econômico relacionado à demanda de produtos prioritários”, explica a economista.

BRASIL

Em nível nacional, com o resultado de fevereiro, a inflação acumula alta de 5,2% em 12 meses, acima da taxa de 4,56% de janeiro, na mesma comparação. A taxa também é a maior para o acumulado de 12 meses desde janeiro de 2017, quando ficou em 5,35%.

O maior impacto no índice do mês (0,45%) veio dos transportes (2,28%), e a maior variação foi do segmento educação (2,48%). Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 70% do resultado do mês.

Na sequência, veio saúde e cuidados pessoais (0,62%), seguido pelo grupo de alimentação e bebidas (0,27% de variação e 0,06% de contribuição), que desacelerou frente a janeiro (1,02%).

O grupo habitação havia recuado 1,07% em janeiro, mas voltou a subir e bateu 0,40%, contribuindo também com 0,06% no resultado de fevereiro. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,13% em comunicação e a alta de 0,66% em artigos de residência.

Fonte: correiodoestado.com.br

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Redação Ms de Fato

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