Saúde

Mato Grosso do Sul teme aumento de 40% nos casos de Covid-19 após o Carnaval

Estatística sobre aumento de infecções é baseada em dados de outros feriados de 2020 em alguns estados brasileiros.

Os índices epidemiológicos da Covid-19 de Mato Grosso do Sul, que têm se mostrado estáveis nas últimas semanas, podem voltar a crescer até 40% após o período de Carnaval.

Os dados foram apontados pelo secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, que assegurou que a porcentagem foi observada em outros feriados prolongados de várias unidades da Federação.

“Mas esperamos que isso não se repita”, comentou. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), foram registrados 911 novos casos de Covid-19 em Mato Grosso do Sul e 18 óbitos causados pela doença.

Há uma semana, no dia 9 de fevereiro, o Estado registrou 1.037 novos casos e 29 óbitos. Já sete dias antes, no dia 2 deste mês, foram 849 novos infectados e 16 mortes. Em 16 de dezembro, pior mês da pandemia, o Estado chegou a registrar 1.981 casos em um dia.

Resende argumenta que essa estabilidade se dá em uma curva alta, e que a atenção com o vírus deve ser redobrada. Além disso, o titular da pasta ressaltou que os dados divulgados no período de Carnaval não são reais.

“Porque equipes do interior funcionam em sistema de plantão e não alimentam o sistema, por isso às vezes não tem o fechamento do quadro real, ele vai ser dado só a partir de sexta-feira”.

O médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rivaldo Venâncio apontou que ainda é cedo para projetar redução no número de casos de Covid-19.

“Ao que tudo indica, entraremos em março ainda em patamares elevados de registros de casos e, consequentemente, de internações e, lamentavelmente, de mortes”.

Ele também acredita que o Carnaval pode piorar o número de infectados no Estado. “Todos os eventos que possam gerar aglomerações podem contribuir para a disseminação do vírus. Infelizmente, em algumas localidades observamos aglomerações nesse período”.

Resende demonstra preocupação em relação à nova cepa do coronavírus, a P.1, que surgiu em Manaus (AM). Ela já foi identificada em 10 estados brasileiros e em São Paulo já há casos de infecções domésticas, ou seja, de pessoas que não estiveram no Amazonas.

“Precisamos redobrar a atenção, principalmente com essa nova cepa que atingiu Manaus e certamente vai adentrar em Mato Grosso do Sul, isso nos preocupa bastante”, declarou.

O secretário ainda completou ressaltando que, apesar de Campo Grande ter melhorado o quadro em relação à ocupação de leitos, outros municípios estão em situação alarmante, e a vinda dessa nova linhagem da doença pode piorar a situação em todo o Estado.

“Dourados e Ponta Porã estão com 100% de ocupação de leitos, a gente tem feito apelo para os municípios abrirem novos leitos, mas sabemos que eles têm dificuldade de fazê-lo, pois essas cidades têm tido bastante pacientes. Pode ser possível que tenhamos de fazer remanejamento de pacientes dentro do Estado. Minha maior preocupação é que possamos sofrer um colapso na saúde pública”, disse.

VACINA

O ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, deve reunir-se hoje com o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), e com outros gestores estaduais para tratar sobre novas remessas da vacina contra a Covid-19.

“Pelo menos vamos ter um anúncio de quando teremos as próximas remessas, quando chegarão em Mato Grosso do Sul para continuarmos com bons indicativos de vacinação”, disse Resende.

O secretário já havia afirmado que espera que a partir de segunda-feira novos lotes do imunizante Coronavac, fabricado pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac, cheguem ao Estado.

Na reunião com o Ministério da Saúde também será cobrada a previsão para a entrega de nova remessa da vacina da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca.

O pesquisador Rivaldo Venâncio deposita as expectativas da contenção da incidência do coronavírus nas novas doses da vacina.

“Sobretudo após a primeira quinzena de março, certamente estaremos com a vacinação em ritmo mais acelerado, contribuindo para a redução do ritmo de novas infecções entre os grupos populacionais vacinados”.

Até agora, Mato Grosso do Sul recebeu quatro lotes de vacinas, totalizando mais de 222 mil doses. Desse número, cerca de 89 mil foram destinadas à aplicação da segunda dose em profissionais de saúde e idosos.

Fonte:correiodoestado.com.br

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Eidson Brito

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