Economia

Vendas despencam, endividamento sobe e comércio clama por auxílio

Pesquisa indica baixo índice de movimentação financeira quando comparado com fevereiro do ano passado; classe espera por volta do auxílio emergencial.

Com endividamento no pior índice dos últimos 12 meses e queda nos indicadores de recuperação de crédito, dados da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) apontam que o movimento no comércio varejista despencou quase 20 pontos no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020.

O índice de movimento no comércio é composto por variáveis como o volume financeiro de cada mês movimentado por pessoas físicas e pessoas jurídicas, sempre respeitando o volume médio de vendas de cada mês e de cada época do ano, para não permitir comparações injustas entre os meses. Ele também engloba as transações realizadas entre empresas e entre consumidores e comércio.

No caso das compras realizadas por pessoas físicas, a Capital fechou o primeiro mês de 2021 acima dos 50 pontos. Em fevereiro, ficou em torno de 49 pontos. No mesmo período do ano passado, antes da pandemia afetar os negócios, o varejo da cidade alcançou quase 70 pontos em janeiro e passou dos 70 em fevereiro, evidências da recuperação econômica em curso na época.

NOVO FÔLEGO

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, Normann Kalmus, economista-chefe da ACICG, disse que a nova fase da ajuda financeira deve trazer um novo alívio. “Os agentes econômicos, em um primeiro momento, vão sentir uma retomada. Não vai ser como no ano passado porque as regras são outras. O impacto já não vai ser tão grande. Os volumes serão menores, mas, de qualquer forma, será positivo”, afirma.

Contudo, Kalmus recorda que “dinheiro não nasce em árvore” e ressalta que a nova rodada do auxílio terá seu preço. “Para a sociedade é importante, mas vale lembrar que governo não gera riqueza: ele distribui as riquezas geradas pelas famílias e pelas empresas. Essa situação tem de ser passageira, pois o governo federal não tem condições de continuar mantendo essa parcela de recursos. Se nossos governantes não começarem a pensar em cortar gastos, quando o auxílio acabar, podemos ter um problema contábil muito sério”, explica o economista.

Normalmente, as vendas no comércio caem sazonalmente em janeiro e fevereiro, diz Kalmus, mas como as pessoas não estão conseguindo mais pagar as contas, o impacto foi mais contundente.

Além disso, existe ainda uma parcela da população que passou a comprar pela internet, em vez de frequentar lojas físicas.

COMO O AUXÍLIO AJUDOU?

A primeira coisa que muitos brasileiros fizeram ao receber as quantias no aplicativo Caixa Tem foi aproveitar para limpar o nome. Com isso, uma recuperação de crédito importante foi registrada no ano passado.

“Toda intervenção do governo na economia tem um determinado impacto. Se um imposto é criado, tem um impacto negativo, pois o dinheiro não é aplicado em consumo. Porém, quando o dinheiro é entregue diretamente às pessoas, especialmente de baixa renda, o dinheiro é usado rapidamente, impactando positivamente a economia”, afirma Kalmus.

Em resumo: o dinheiro circula e é usado para comprar produtos ou pagar por serviços, e ao vender mais, os comerciantes acabam pagando mais impostos, elevando a arrecadação.

A Capital fechou fevereiro com índice de negativação calculado em 21 pontos. Houve uma ligeira queda em relação a janeiro, que teve 28 pontos.

De março a outubro de 2020, o indicador apresentou queda de 30 para 17 pontos. Em outubro, houve pico de 50 pontos, mas vale recordar que neste mês as lojas promovem descontos para favorecer o consumo.

Já o índice de recuperação de crédito, que mostra o esforço da população para pagar dívidas e tirar o nome dos órgãos de negativação, estava em 40 pontos quando a pandemia chegou, em março do ano passado.

Em julho, bateu recorde dos últimos 12 meses e chegou a 95 pontos. Caiu para 34 no mês seguinte e fechou dezembro em 32 pontos. Contudo, em fevereiro amargou 14 pontos.

No mesmo mês do ano passado, o indicador da ACICG estava em 41 pontos, e desde então nunca havia ficado em um patamar tão baixo. Calcula-se, conforme o economista, que o auxílio emergencial reduziu o impacto da pandemia ao menos pela metade.

“Alguns estudos dizem até que foi mais que isso, entre quatro a oito pontos porcentuais. O Produto Interno Bruto [PIB] caiu 4,1%. Imagina-se que poderia ter sido bem mais, até 8,5%. Há quem aposte que alcançaria 14% de retração. A relação em cadeia não para aí. Com mais dinheiro em circulação e mais pessoas gastando, outubro, novembro e dezembro foram os melhores meses em termos de contratações no ano passado, especialmente os dois últimos”, conclui.

Fonte: correiodoestado.com.br

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Eidson Brito

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